ESTETICA T3C3IRO MUNDO 1

codonaOla moçada, essa é minha primeira* contribuição para o dAdA RAdiO, numa serie de programas que vamos chamar de Estética Terceiro Mundo, porque aqui trataremos de jazz,musica eletrônica e world music, e os pontos de intersecção desses três gêneros musicais.
Nesse primeiro programa teremos grandes nomes da musica mundial que inicialmente fundiram os sons de culturas tradicionais com o jazz e a música pop, e alguns nomes que, no século 21, também levantam essa bandeira. Começamos o set com o grupo Codona , com a música Mumakata, do disco Codona I de 1978. O Codona é formado por tês músicos mais que experientes quando o assunto é fusão – Colin Walcott (que toca tabla, sitar, percussões diversas e canta), Don Cherry (que toca trompete, flautas e douss n gouni) e Naná Vasconcelos (que toca berimbau, percussões diversas e canta). A música do Codona, já definida pelo Naná como um Pink Floyd acústico, transita pelas ambiências sonoras, improvisos jazzísticos, clima oriental e temas vocais com forte influência da musica africana/afro-brasileira.
Na seqüência temos o grupo Néctar do Groove , com a música Intermezzo, do recém lançado EP (homônimo) do grupo. O Néctar surgiu a cerca de três anos, como projeto paralelo de alguns membros da Chicocorrea & Electronicband, que se uniram a outros músicos e trabalham temas de sua banda oficial, mas com maior influencia do jazz,funk e afrobeat que a mesma. São membros do grupo – Stephan Buhler (sax e saxphoon), Victorama (bateria), Peter Buhler(percussão e percussão eletrônica),Mestre Cristiano Oliveira (viola e violão) e Orlando Freitas (baixo), contando ainda com Larissa Montenegro nos vocais nessa faixa.
Continuando os bons sons temos a dupla Bill Laswell e Jah Wobble com a música Alsema Dub, do disco Radioaxiom: a Dub Transmission. Bill Laswell já tocou e produziu nomes tão diversos da música como Herbie Hancock e Buckethead, só pra citar dois extremos, tem uma queda pelo jazz, pela world music e pela musica eletrônica, e podemos considerá-lo uma espécie de pioneiro nesse tipo de fusão. Jah Wobble foi baixista do grupo PIL, do invocado John Lydon, lá nos anos 80. Amargou um tempo sem trabalho na música, mas voltou no fim da década de 80, começo dos anos 90 com o grupo Invaders of the Heart, que começava o flerte dos sons globais com música pop e eletrônica. O trabalho da dupla de baixistas nesse disco tem o dub como base, mas viaja também em cima da musica ambiente, eletrônica e dos sons globais.
Ficamos agora com o grupo francês Hadouk Trio, com a música Hijaz, do disco ao vivo Baldamore. O grupo é formado por Loy Ehrlich (baixo), Steve Shehan (percussões) e Didier Malherme (sopros) e toca um tipo de som que passeia entre temas jazzísticos e música africana, num estilo que eles mesmos chamam de ethno-jazz.
Temos aqui mais uma música do percussionista Steve Shehan, do Hadouk Trio, só que dessa vez em parceria com o músico turco Omar Faruk Tekbilek . Dadash é o nome da música, que está no álbum Alif, Love Supreme, um belo encontro entre músicos do oriente e ocidente.
Musica subsaariana com saxofone? Cortesia do músico sudanês Abdel Gadir Salim, e do saxofonista Hamid Osman Abdalla. O nome da música é almaryood, presente na coletânea Ambiances Du Sahara-Desert Blues.
Pharoah Sanders é um saxofonista que no fim do anos 60/começo dos 70 começou um flerte com o que chamamos hoje de world music, muitas vezes utilizando apenas o conceito de uma música exótica, de lugares remotos, para construir uma música baseada num jazz mais ambiente (próximo do que outros músicos estavam fazendo na época, como Alice Coltrane). De Pharoah Sanders e sua viagem pela música de países exóticos ficamos com a faixa Astral Travelling, do disco Thembi, de 1971.
Mulatu Astakte, músico etíope que é considerado um dos grandes nomes do (ou para a criação do) afrobeat, comparece aqui com seu jazz-funk permeado de melodias que remetem ao oriente médio e ao norte da África. Ficamos aqui com a música Kasalefkut Hulu, do disco Mulatu of Ethiopia, de 1972.
Do fim do século passado até agora o mundo (em especial os estados unidos), tem presenciado um ressurgimento do afrobeat, com vários discos e coletâneas sendo lançados e relançados, novas bandas aparecendo a cada momento, nos lugares mais inusitados possíveis – The Budos Band sendo uma dessas. Um dos nomes mais interessantes do novo afrobeat, a Budos Band não se limita ao som criado por Fela Kuti, somando as poderosas batidas do afrofunk o jazz etíope de mulatu astakte e o funk repleto de breaks dos anos 70. É deles nossa próxima faixa – Origin of Man, do disco The Budos Band II, de 2007.
Como foi dito anteriormente, o afrobeat ressurgiu nos últimos tempos e tem rodado o mundo todo, influenciando novas bandas de locais diversos, como foi o caso da Burro Morto , banda paraibana que parte de um afrobeat(com pegada roqueira) como base para incluir funk, psicodelia nordestina dos anos 70 e pitadas de dub a um caldeirão sonoro potente e extremamente viciante. Terminamos esse nosso giro sonoro ao som de Cabaret, música do EP de 2008 do Burro Morto intitulado Varadouro.

* [Cassiano é percussionista possui um projeto solo e toca com a banda Chico Correa Electronic Band entre outros projetos de musica e dança]

3 thoughts on “ESTETICA T3C3IRO MUNDO 1

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *