ESTETICA T3C3IRO MUNDO 2

Este Programa gravado antes da morte do músico argentino-brasileiro-sul americano do mundo Ramiro Musotto, presta uma homenagem especial ao talento e criatividade de Ramiro que por sincronias da vida é publicado no dia de seu falecimento. A sua música abre o presente programa…. Salve Ramiro que evoluiu deste mundo para outro melhor e mais musical ainda!!!

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Aqui estamos mais uma vez amigos, na nossa encruzilhada musical denominada estética terceiro mundo, onde a música ancestral se une a música digital e ao som que rompe barreiras (experimental?!?) , e dão cria a diferentes híbridos sonoros.
Abrimos nossos trabalhos com Ronda, música do percussionista argentino/baiano Ramiro Musotto, presente em seu mais recente disco – Civilização & Barbarye. Essa música é tocada apenas com berimbau, em cima da pesquisa do músico em usar várias afinações para esse instrumento. No site do artista também consta que a música foi composta para o espetáculo BERIMBÍSSIMO, criação original encomendada por La Regie 2C/La Chaufferie/Catherine Bourdin en Grenoble, França, para ser executado por RAMIRO MUSOTTO & LE BERIMBAO MODERN ORCHESTRA.
A próxima faixa de nossa viagem musical se chama We Walk, do grupo Hu Vibrational, música presente no disco Bonghee Music 2 : Beautiful , lançado em 2004. O Hu Vibrational, grupo formado pelos músicos Hamid Drake, Carlos Niño, Adam Rudolph, Munyungo Jackson e Brahim Frigbane, faz uma música que transita entre a percussão experimental (fazem questão de frisar que todos os instrumentos usados na gravação foram feitos manualmente), o “jazz espiritual” de músicos como Pharoah Sanders e o “hip-hop experimental” de músicos como o Prefuse 73 .
Partimos de sonoridades acústicas com influência eletrônica para a releitura de sons orgânicos feita pelo DJ e produtor Bally Sagoo em seu disco Bally Sagoo-the Dub of Asia. A música aqui presente se chama The Karma Shade of Dub, e traz os sons hipnóticos das vozes, sitars e percussões indianas potencializados pelos ecos e delays comuns a estética do dub.
Continuando na praia do dub oriental, mas caminhando da Índia de volta para o mundo ocidental temos a mistura de dub, música oriental, psicodelia e eletrônica do grupo turco Baba Zula, com a faixa Gerekli Seyler(dub) , presente no disco Duble Oryantal , de 2005. Esse disco foi produzido e mixado pelo papa do dub eletrônico Mad Professor, sendo o segundo trabalha do produtor com os artistas turcos.
Saindo dos grupos que foram influenciados esteticamente pelo reggae/dub e indo direto para a fonte temos o som nyah/jazzy/espiritual de Count Ossie & The Mystic Revelation of Rastafary, com a música Sam´s Intro, do disco Talez of Mozambique, de 1975. Nos idos de 1950 Oswald Williams (que depois viria a se chamar Count Ossie) vivia em uma comunidade rastafári, onde aprendeu os cânticos e os toques percussivos do Nyabinghi, formando anos depois o grupo The Mystic Revelation of Rastafari, que reza a lenda influenciou muitos grupos a exemplo de Ras Michael & the Son of Negus e o The Wailers.
Tendo a percussão de todas as nacionalidades e estilos como mola mestra, o projeto/disco Batucajé nos mostra a conexão entre três gerações de percussionistas brasileiros (Robertinho Silva, Simone Sou e Jadna Zimmermann) e um baixista/produtor/DJ (Alfredo Bello) TUDO, na concepção de uma música percussiva e experimental. Ouviremos aqui a faixa Dança de Todos os Santos (maculele dub), do disco Batucajé-Percussão Experimental Brasileira, lançado em 2006.
Nossa próxima faixa se chama Mania, e está presente no disco Dia Santo, do músico pernambucano Jam da Silva. O trabalho solo do músico (lançado em 2008) mistura o experimentalismo de gravações feitas na rua (como ambiências urbanas) e de sons percussivos alterados eletronicamente a canções do músico, interpretadas por Jam e um time de ilustres colaboradores da cena pernambucana, como Isaar França, Maciel Salu e Junior Barreto.
Saindo de Pernambuco e fazendo escala na Paraíba (indo em direção ao Ceará como entenderão mais adiante), temos ChicoCorrea & ElectronicBand com a faixa Terra , gravada ao vivo no show feito na festa Farra na Casa Alheia (em Fortaleza-CE) , no começo de 2009.
Partindo da conexão nordeste e indo para Mali temos a faixa Niger, de Damon Albarn & Mali Music, presente no disco Mali Music de 2002. Esse projeto do chamado “branco mais negro de Londres” surgiu de uma viagem ao país africano e incontáveis gigs, jams e pesquisas sonoras, tudo devidamente gravado, editado em Londres e enviando para Mali pra ser re-editado. Contando com as participações ilustres dos músicos da terra Afel Boucom e Tomani Diabate, Damon cria um disco cheio de ambiências, misturando sons captados na rua, música africana, reggae e dub.
Partindo de fusões de música africana com pop para a busca de uma sonoridade mais ancestral temos o projeto Abyssinia Infinite com a música Bati Bati, do disco Zion Roots, de 2003. Com produção de Bill Laswell , e com músicos do calibre de Pharoah Sanders, Karsh Kale e Gigi, o Abyssinia Infinite revisita canções da igreja etíope e música tradicionais de vilarejos, num tipo de som que ficou conhecido como “Ethiopian Soul”.
Unindo percussões de vários cantos do mundo, de percussão afro-cubana, árabe, sinfônica a percussão indiana temos grupo Diga Rhythm Band, com a faixa Sweet Sixteen. Essa faixa está no disco Diga de 1976, que foi remasterizado em 1988. Esse disco/projeto/banda tem uma infinidade de membros tocando vários tipos de instrumentos (a maioria percussão), mas vale citar Mickey Hart (baterista do Greatful Dead) e Zakir Hussain (Tabla Beat Science, entre outros), os cabeças dessa criação polirritmica. Jerry Garcia também toca guitarra em algumas das faixas do disco.
Uma fanfarra belga, que toca desde sons típicos para esse tipo de grupo até funk,grindcore e dub. Um grupo que tem um meio de transporte que se tranforma em soundsystem , fazendo apresentações por toda a Europa.Um grupo que já viajou para o Marrocos e Brasil trabalhando com os artistas locais e produzindo álbuns no mínimo…peculiares. A faixa da vez pertence a esse grupo: Think of One, retirada de seu primeiro disco de com músicos de Marrocos, denominado Marrakech Emballages Ensemble, de 1999. Alwa é o nome da música, e ela sugere uma fusão de canto shaabi (tradicional do Marrocos), post-rock e jazz.
Pedro Santos e seu psicodélico disco Krishnanda tem sua presença aqui no Estética Terceiro Mundo com a faixa do disco intitulada Flor de Lótus. Segundo informações de blogs (pois informações sobre esse camarada e sua obra são difíceis) Pedro Santos Sorongo (ou Pedro Sorongo), foi um percussionista brasileiro muito atuante na década de 60 e 70, acompanhou Baden Powell, Elis Regina, Sebastião Tapajós, Jacob do Bandolim entre outros e lançou seu único trabalho solo em 1968. Flor de Lótus nos dá um gostinho de como o disco é- misturando misticismo oriental, psicodelia e percussões afro-brasileiras, é um trabalho reconhecido mundialmente, mas pouco falado dentro do país.
Finalizando nossa transmissão da vez temos o grupo Gnawledge com a música La Senda Del Abuelo do disco Granada Doaba . Gnawledge é o que podemos considerar um coletivo americano de hip-hop instrumental, e o disco Granada Doaba foi produzido por dois de seus membros, o produtor Gnotes e o etnomusicologista/músico Canyon Cody (que estudava guitarra flamenca em Granada, na ocasião),que uniram um time de 16 músicos da Espanha e fundiram hip-hop instrumental,flamenco e música árabe como forma de retratar o panorama multicultural da cidade. Pra quem gostou desse material, eels tem o disco completo disponível para download aqui: Granada Doaba.zip
Abraço a todos e até a próxima!!!!

One thought on “ESTETICA T3C3IRO MUNDO 2

  1. dunkel

    De fato é triste saber de uma perda assim , pra um cara tão jovem…Mas o som continua e esse programa nos propiciou isso…o fato da musica atravessar tempos…VALEU!!!

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