ESTETICA T3RC3IRO MUNDO #3

beats-antique

Saravá pra quem é de saravá, namastê pra quem é de namastê e olá para todos. Estamos aqui mais uma vez com o Estética Terceiro Mundo, transmissão mensal gentilmente oferecida pelos amigos do Dada Radio, e que tem por intuito divulgar raízes culturais e seus frutos ciberdelicos, tudo bem misturado e condimentado.

Começamos essa transmissão com a música Whats Happening, do grupo Cornershop – música que une as batidas da tabla indiana com scratches do turntablism e efeitos comuns ao dub, tudo cortesia do produtor Dan The Automator que foi colaborador em várias faixas do segundo disco dos caras, intitulado when i was born for the 7th time.

Na seqüência temos um dos grupos brasileiros mais famosos da cena de chillout/downtwempo – o Pedra Branca , com a música Corpus Future, do disco Organismo Eletrônico. A faixa representa bem o trabalho do grupo, uma união de sons acústicos e eletrônicos; timbres orientais, aborígines, africanos e brasileiros.

Os músicos mambembes, de rua, sempre tiveram um papel importante na divulgação de diferentes culturas ao redor do globo, principalmente nas grandes capitais mundiais, destino certo de vários imigrantes. O duo Minimal Acoustic Band, sediado nas ruas de

Barcelona, parte do exotismo de instrumentos como hang drum e didgeridoo e funde esses sons com bateria e programações, fazendo uma espécie de sons roots com roupagem eletrônica.

E temos mais do “novo” afrobeat aqui no nosso programa, com a faixa Nu Tones do grupo NOMO, americanos que flertam com o nu jazz e várias outras sonoridades africanas além do afrobeat.

Saímos da conexão africana/EUA para um amalucado e divertido encontro do DJ alemão Señor Coconut (aquele que ficou conhecido por transformar o som do Kraftwerk em merengues, boleros e salsas) com a fanfarra cigana do Koçani Orkestar. A música é Usti, Usti Baba e está presente na coletânea Electric Gypsyland, que contém remixes de vários artistas de som cigano/balcânico.

Nosso próximo som se chama Quralew vem do disco Bole 2 Harlem Vol.01, do grupo Bole 2 Harlem; grupo com músicos africanos e brasileiros sob a batuta do produtor americano Duke Mushroom.

Um dos artistas brasileiros conhecido pela mistura de sonoridades da cultura popular brasileira com aspectos da cultura mundial, DJ Dolores está presente na nossa selecta com a faixa Wakaru, (do disco 1 Real), onde  palavras em japonês(acredito eu) são permeadas por sons típicos do samba rural e do caboclinho pernambucano,alterados por ecos e delays.

Talvez um dos sons mais emblemáticos do nordeste, o forró comparece no estética terceiro mundo em versões envenenadas dos grupos Forró in the Dark e Cabruêra. O primeiro, formado por músicos brasileiros que moram nos Estados Unidos, traz uma marchinha junina (Índios do Norte), permeada por elementos que remetem ao rock new wave e a música country americana; enquanto o segundo, formado por músicos paraibanos, transforma o som do violão numa espécie de rabeca e flerta com a sonoridade eletrônica, com o jazz e com um instrumental mais denso a música Espinhos, do segundo disco deles- O Samba da Minha Terra.

FUSÃO TOTAL!! É o que podemos falar da faixa Estação Rishikeshi, do músico Marcos Santurys. Santurys (que toca sitar) une sons indianos, naipes de metais, loops eletrônicos e várias outras sonoridades nesse trabalho, presente no disco Ancestral Trance.

A próxima faixa se chama Longa Nahawand, do produtor americano (residente no Brasil) Maga Bo, com participação do músico Mohamed Issa Matona. A música é uma mistura de sonoridades árabes clássicas com raggamuffin jamaicano, e está presente no disco do produtor, de nome Archipelagoes.

Continuando com a fusão de música oriental com eletrônica temos a faixa Hejran, do grupo Niyaz, e a faixa Sama’i, do produtor Chronomad. O Niyaz é um trio, formado por iranianos e filhos de iranianos refugiados nos Estados Unidos (após a revolução político/religiosa dos anos 70/80), e que usam timbres e músicas da tradição persa aliados a eletrônica, e com um pé na sonoridade “oriental gótica” de grupos como Dead Can Dance. O Chronomad vem com um trabalho complexo, fazendo música eletrônica utilizando loops de instrumentos e ritmos orientais.

Saindo de um som mais experimental para uma pegada mais pop temos o grupo Beats Antique com a faixa Discovered, música presente no primeiro disco do grupo, Tribal Derivations. O grupo faz uma divertida mistura de sons dos Bálcãs com as batidas do crunk/dirty south americano.

Continuando com a pegada balcânica vem o Shantel, com a música Borino Oro, um som típico com um leve upgrade eletrônico.

Finalizando nossa transmissão temos o grande encontro de Mulatu Astatke com The Heliocentrics, com a faixa Addis Black Widow 1 ,do disco Inspiration Information,que saiu esse ano. Sobre o Mulatu nosso programa já falou, ele é um dos papas do jazz etíope e “pai espiritual” do afrobeat (escutem Budos Band e entenderão), mas não foi mencionado nada sobre os caras do Heliocentrics, então lá vai- o grupo trabalha com DJ Shadow, e faz um jazz-funk instrumental de primeira, com muita influência da sonoridade do patrão Shadow e de outros DJs de Hip-Hop.

E encerramos aqui mais uma transmissão. Espero que todos tenham gostado, e até o mês que vem com mais sons do infinito… E além.

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