PROJETO BAIANA SYSTEM

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É um projeto musical que tem o objetivo de divulgar e explorar novas possibilidades sonoras da Guitarra Baiana. Esta singular guitarra criada na Bahia em meados dos anos 40, foi responsável pelo surgimento do trio elétrico (grande sistema de som andante) e por uma linguagem instrumental de guitarra para interpretação de frevos, choros e outros estilos musicais que tomaram nova forma a partir da sonoridade deste instrumento.

Da necessidade de expandir estas sonoridades, tentar incorporá-las a novos contextos, abrir o leque de influências e propor um novo diálogo deste instrumento com o público surgiu o projeto BaianaSystem, onde a Guitarra Baiana é o ponto de partida. Idealizado por Robertinho Barreto, guitarrista da banda Lampirônicos e que utiliza há algum tempo o instrumento, tanto na banda como em outros trabalhos, o BaianaSystem não tem um formato definido, podendo assumir variadas formações. A idéia principal é que a guitarra baiana interaja num formato de “Live P. A.” com um DJ que assuma as bases sampleadas e/ou tocadas, fazendo inserções de sons e efeitos com liberdade de improvisos. Utilizando-se de recursos como camadas, efeitos e loops, numa concepção que também se inspira na liberdade e psicodelia do Dub.

A idéia de pensar o principal meio de divulgação e consolidação da Guitarra Baiana (o trio elétrico) como um tipo especial de Sound System (divulgador do Dub), traz uma nova forma de pensá-la, explorando mais suas possibilidades de timbragem e a interação com a produção das bases rítmicas, onde a linguagem e a filosofia das “colagens”, do re – criar a partir do existente, se tornam o desafio do BaianaSystem.

A estética do BaianaSystem vem se definindo não só pelo seu som, mas por toda sua concepção visual, suas formas, cores e grafismos, que traduzem e reforçam sua música, trazendo movimento e sustentação para esta linguagem. Isso se dá através do uso de formas simples, de pinturas feita a mão das barracas e bancos de festa de largo, estampas das mortalhas, carrinhos de café etc. Vem da África, da Jamaica, da Índia, mas para nós, baianos, ela é daqui. Isso pula das ruas para nosso imaginário, e aqui ela é traduzida por Filipe Cartaxo (Barreto), que traz da sua experiência, um interesse pelo popular, pelo lúdico, pela tradição em movimento. E tradição, é algo que se mantém em família.

A cultura do Sound System surge na Jamaica na década de 60, e catalisa a todo o movimento e a estética reggae, bem como outras linguagens que surgem a partir disso como o hip hop, dub, etc. É basicamente uma cultura de rua, de interação, de movimento, que muito se assemelha as festas de rua da Bahia. Vindo do interior, mas também com uma linguagem bem urbana e popular, Russo PassaPusso reconstruiu , juntamente com o MiniStéreo Público, Sistema de Som Perambulante, esse conceito de som de rua, de improviso, Jamaica-Bahia. No Baiana ele é o System, trazendo seus dubs vocais, letras ágeis e criando uma linguagem de interação com a Guitarra Baiana.


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