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uma das características essenciais das netlabels é o questionamento aos mecanismos convencionais de difusão e distribuição dos “produtos” com os quais lida, ou seja, música e vídeo. permitem ao usuário fazer o download de arquivos, copiá-los e, inclusive, reproduzí-los publicamente em qualquer momento, desde que se respeite a autoria do “produto” e não seja usado com fins comerciais, superando assim a rigidez imposta pelo copyright. a quantidade de artistas que recorrem as netlabels para publicação de seu material cresce dia após dia. ao ponto de alguns ousarem dizer que se trata uma nova indústria fonográfica, mas uma indústria muito mais próxima do fundamento da cultura livre, da mentalidade do código aberto (open source), que fomenta a liberdade de escolher, partilhar e difundir a cultura.

segundo a pesquisa empreendida pelo polônes patryk galuzka doutorando em economia e pesquisador no instituto max planck para o estudo das sociedades bem como da academia de humanidades e economia de lodz, e que decidiu observar de perto o universo das netlabels, podemos afirmar que o fenômeno das netlabels é tipicamente europeu, considerando que o número de editoras online é no velho continente cinco vezes superior ao dos estados unidos e canadá.

os resultados citados referem-se apenas à primeira parte da pesquisa de Patryck e o pdf completo pode ser lido aqui segundo uma licença cc-by-nc-sa. no próximo programa pesquisa do gpopai/usp que fez um ótimo levantamento sobre a produção de música independente no brasil e que está em fase de finalização.

o modelo de netlabels ainda está longe de estar consolidado no brasil na forma como acontece na europa, estados unidos ou canadá, por  isso a seleção dos brasileiros que compõem esse primeiro programa levou em consideração o fato de 1. publicarem gratuitamente na web; 2. distribuírem por netlabel; 3. não se oporem ao fato de que seus discos ou trilhas circulem pela web, mesmo que o material não seja disponibilizado em cc.

ao final, não podemos perder a consciência de que ainda restam barreiras políticas a serem vencidas para que um modelo de distribuição livre e pleno possa se estabelecer no brasil.

nesse programa contamos com a presença de kiko dinucci, a maravilhosa e apaixonante alessandra leão direto de recife/pe em parceria com jorge du peixe, gog com a faixa título de seu disco tarja preta, pedindo de antemão mil desculpas, pois no áudio do programa eu digo que o álbum tarja preta é o mais recente do gog, quando na verdade é um disco de 2004. portanto, desculpem!

ainda alfredo belo/dj tudo, com faixas do seu álbum garrafada, e que é proprietário do importantíssimo trabalho de etnografia que é o selo mundo melhor, sacal e burro morto ambos direto de joão pessoa/pb, instituto com a belissima faixa choro, trio esmeril e uma releitura de canto de xangô dos afro sambas de baden powell e vinicius de moraes.

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