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por Bruno Picchi
Uma forma de entender as periferias de Pernambuco se dá por meio da banda Canhoto e os Chegados. Capitaneada por Canhoto, músico que tocava caixa na formação original de Chico Science e Nação Zumbi, a banda une o manguebeat tradicional ao rap urbano.
Hoje, essa conexão é transatlântica: o projeto tem sido produzido diretamente da Espanha, onde Canhoto comanda o estúdio MangueSound em Las Palmas de Gran Canaria. Dali, ele cria as bases e colabora digitalmente com os músicos das periferias de Recife e Olinda, mantendo viva a essência do movimento.
Na seleção que você vai ouvir a seguir, essa mistura entre a Europa e o mangue explode em crônicas sociais indispensáveis. A jornada começa com a potência de “Força e União”, “Fandangos Latinos Americanos” e a homenagem “Nelson Ferreira e Capiba”. O balanço regional segue forte com “Tanajura”, a consciência social de “Nação Contra Nação”, a liberdade de “Naturalmente Livre” e o hino local “Recife Olinda e Peixinhos”. A resistência cultural continua viva através de “Sonhando com a Felicidade”, “Favela”, e fechamos com o álbum que esse programador mais aprecia, que é Recife Olinda e Peixinhos, homônimo à uma música selecionada anteriormente. lançado em janeiro de 2024, sendo “Na Lama e na Fama” e “O Povo Rasta”, sendo que essa última música remete à famosa ilha caribenha, a Jamaica.
Canhoto e os Chegados provam que o manifesto do mangue não tem fronteiras e continua ecoando com força total.