High Life 76 por Ricardo Pereira

High Life 76 NO AR! Seleção e discotecagem Ricardo Pereira

NOTAS PARA UM DISCURSO

O blues africano
não me conhece. Seus passos, em areias
de seu próprio
solo. Um país
em preto & branco, jornais
lançados nas calçadas
do mundo. Não
sentem
o que eu sou.

Resistência

no sonho, um oblíquo
sugar do vigor, o vento
levanta areia, os olhos
estão algo fechados no
ódio, do ódio, do ódio, para
perambularem, eles conduzem
suas mortes em separado
da minha. Aquelas
cabeças, que chamo de
meu “povo”.

E quem são. Povo. Pra interessar

a mim, homem feio. Quem é
você, para se preocupar com
os estômagos lisos e vazios
das donzelas, morrendo
dentro das casas. Negras. Luar despido
sobre os movimentos
dos meus dedos por baixo
das roupas dela. Cadê
seu marido. Negras
palavras jogam areia
nos olhos, dedos de
seus mortos particulares. Cujas
almas, olhos, na areia. Minha cor
não é a deles. Mais clara, papo de
branco. Eles recuam assustados. Minhas próprias
almas mortas, meu, assim chamado,
povo. A África
é o estrangeiro. Você é
como qualquer outro infeliz aqui.

Amiri Baraka. Tradução de Luci Collin

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